15.9.09

Duplo prazer

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Ao desfolhar uma revista no meu cabeleireiro, um rapaz absolutamente gay, como manda a sapatilha, diria a minha santa avó, e sem muito que fazer ao meu cabelo já que o uso curto e despenteado, deparo com uma fotografia de moda onde duas gémeas se abraçam e acariciam sem propósitos nenhuns (diria a mesma avó que era uma santa) perante o olhar esfomeado de um quarentão muito apelativo.
Ponho-me a pensar.
Se naquela fotografia fossem substituídas as gémeas esqueléticas por um par de gémeos observados por uma mulher madura e libidinosa, depressa haveria gente com ambições de beatificação que a consideraria uma porcaria escabrosa.
Uma rapariga esperta não dá valor a estes julgamentos precipitados.
Confesso que sempre foi uma das minhas fantasias eróticas mais protegidas e acarinhadas ter na frente (e atrás) dois garbosos gémeos verdadeiros para depois obrigar a dupla a acariciar-se como se o amanhã não existisse.
Uma miúda esperta sabe exigir o seu quinhão de felicidade em dose dupla ou o seu par de quinhões, já que falamos em gémeos.

14.9.09

tansos e burkas

Está decidido. A esmagadora maioria dos homens que conheço são uns tansos.
Não abdico desta norma que me chega de um saber feito de experiência e comprovada pela observação científica do pateta que tenho ao lado que acaba de afirmar, cheio de convicção, que se todas as mulheres fossem sexualmente mais agressivas, ninguém lhes conseguiria enfiar uma burka.
Uma tolice!
Não imagina o pobre como é eficaz um ataque sexual desferido por uma rapariga esperta embrulhada e coberta, por exemplo, por uma toga romana com abertura dificultada pelas mil dobras aveludadas do tecido.
A burka é apenas uma agressão que de sexual tem somente o olhar dos tansos.

11.9.09

Da Escócia com amor

Um recente estudo de uma Universidade escocesa prova por A mais B, coadjuvados pelo C, que as mulheres preferem os homens que fisicamente se parecem mais com elas, mais femininos e e aparentemente mais seguros e desconfiam dos opostos, ou seja, não acreditam em rapazes com traços demasiadamente masculinos.
Da Escócia chegam-me os Kilts. Confesso que abençoo por isso os escoceses, mas coloco entraves ao estudo publicado. Não fui tida nem achada no processo que levou a concluir a estes dados, mas não acredito que algum dia me possa sentir perdida de amores por um pequenino, magrinho, com ar de gazela perdida, ágil como um acrobata, com olhos de bambi pestanudo, uma boca capaz de proezas inimagináveis e com uma tendência mórbida a gostar de bolos encharcados em creme.
O estudo escocês pode ter estar baseado em factos que uma rapariga simples desconhece, mas ninguém me tira um matulão, com maxilares quadrados e violentos, capaz de nos entregar o céu com as mãos peludas e bem grandes.
São homens que nos causam problemas impensáveis, mas quem é a rapariga esperta que não gosta de um másculo problema bem desperto?!

7.9.09

Objectividade

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Sejamos objectivas:
Um homem charmoso pode perfeitamente ter mais de uma centena de anos, desde que os comemore ao volante de um Bentley.
Há um certo tipo de charme que só é encontrado na carteira.

31.8.09

Um facto de fato

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Enquanto que o calor que se faz sentir favorece as raparigas espertas que sabem tirar partido dos tecidos que esvoaçam e se transformam em pequenas ninfas suadas, a saltitar de perfume em perfume, é altamente lesivo para os homens que estão obrigados pelas convenções a usar um fato.
Um fato, mesmo um de linho charmoso e ligeiramente amarrotado, no meio do calor é um teste implacável à capacidade criativa de quem o usa, porque implica sempre uma adaptação, uma reformulação, do conceito de clássico e até mesmo do discreto, que nem todos os homens são capazes de operar.
Uma rapariga esperta jamais colocará no rol dos elegíveis um homem que se empacota e se asfixia num fato que o faz resfolegar e se aproxima da apoplexia com uma gravata que, por muito Armani que seja, não o faz parecer o cartaz da colecção de Verão do criador.
Há que desmanchar, desestruturar e reformular.
Excitam-me sempre os homens que usam fatos e T-shirts e se apresentam com um convite para jantar num restaurante que nos comeria numa noite, se fossemos nós a pagar a conta, a verba destinada a dias difíceis (a esses também, porque uma rapariga atravessa essas ocasiões deprimentes com visitas programadas a todas as lojas do centro de Paris) com sandálias de couro fino (assinadas ou não, que isto de ultrapassar as marcas sempre foi difícil para os rapazes), fato perfeito de corte impecável e cor indefinida de tão cara.
São homens que sabem desmanchar a rigidez de uma convenção e se transformam em charme puro e duro, capaz de amolecer uma pobre e indefesa rapariga que de pura tem apenas o que se lembrar de ter na ocasião.

28.8.09

Viciante. Eu?!

Uma rapariga esperta e com um allure parisiense que arrasa qualquer outro perfume, sabe fazer-se esperar, sobretudo quando tem de dizer obrigado.
É excitante e provoca alguma ressonância interior que não convém dizer aqui por ser verdade (diria o cronista do Reino que já lá vai) sussurrar ao ouvido do homem que espera durante duas horas que retoquemos o batôn:
Obrigado por ter esperado. É já um prémio saber-me tão querida.
Der terrorist, um blog que sigo como uma parisiense segue a moda (uma parisiense e não uma portuguesa, que sempre me pareceu que a seguia de forma canina) teve a gentileza de me considerar um “blog viciante”. Imaginem a tontice.
Sou uma rapariga sem pretensões, que adora o ”inimigo” e apesar de não ser de todo sua intenção fornecer pistas para que o “adversário” tente inutilmente vencer a equipa no poder, gosta de se divertir com novelos de pêlo, como uma boa gatinha que nunca vai deixar de ser.

(Meu querido Der terrorist, não publico o selo atribuído por ser uma coisa macabra e maçadora, mas pouso em si um beijo meu. Não adormece nunca, embora por vezes emagreça bastante aquele que é beijado.)

20.8.09

Artic dream

Para uma rapariga fútil como eu, Artic Sea significa apenas um romântico nome de navio, capaz de provocar inúmeras fantasias que descritas fariam corar eternamente a minha santa avó.
Saber que a tripulação era russa não ajuda em nada a minha compostura. Informarem-me que toda ela foi sequestrada provoca-me arrepios pouco recomendáveis.
Retiro sempre o refugo a estas coisas e acabo por imaginar o que convém: um bando de jovens friorentos, másculos, com barba de dois dias, altos e espadaúdos, inocentes, amedrontados, pálidos e carentes, que não dizem coisa que se perceba, desesperados por um carinho de um colo como o meu, inunda-me de felicidade (sejamos comedidas).
Por outro lado saber que há piratas, daqueles com colares de conchas, cabelos negros presos por fitas de veludo e fatos esfarrapados, muito Galliano (não interessa nada que a realidade não corresponda ao sonho) faz com que me apeteça navegar pelo mar dentro, mesmo com um carregamento de madeira, sem um pingo de sedução, às costas.
Uma rapariga fútil é assim. Levanta-se e sonha ser pirata de concha ao pescoço e ter toda uma tripulação de russos giros sequestrados na despensa.
O casco do navio pode ficar para os homens.

27.7.09

Latinices saloias

Não gosto de futebol, mas em contrapartida adoro futebolistas. É agradável ter por perto um rapaz musculado e vigoroso sem necessidade nenhuma de estar atenta ao que ele diz, porque sabemos de antemão que, salvo raríssimas excepções, não dirá nada que valha a pena ouvir.
Mas não posso deixar de lamentar a imprensa portuguesa que vai transformando o Cristiano Ronaldo numa actualização do Zezé Camarinha.
A continuar assim, não haverá Vitória que o salve.

24.7.09

O blog da semana é...

Do meu querido Petrovsky!

20.7.09

Odeio...

... mulheres gordas, rentes ao soalho, com cabeleiras ossificadas e que usam tailleurs demasiados justos. Provocam-me urticária. Aproximam-me dos abismos da fúria cega e assassina. Sobretudo aquelas que usam um broche na lapela (um sítio onde é desagradável ver um broche) e nos olham depois com aquele ar de quem não mexe uma palha... ou uma pila.

19.7.09

É científico!

Acabo de ler uma excelente notícia:
Do ouvido,da visão, da memória e de todas as nossas faculdades, a última a deixar-nos é o desejo sexual e a capacidade de fazer amor.
Isto significa que, muito depois de comerçarmos a usar óculos bifocais e aparelho auditivo, ainda fazemos amor, embora sem sabermos com quem! - O que para uma rapariga esperta é um pormenor sem importância absolutamente nenhuma.

14.7.09

Lembrete

Nunca deixar um homem dormir connosco a noite inteira.
Podem ter sido formidáveis as horas que passaram, mas é aterrador acordar na manhã seguinte e apanhar com ele a coçar o rabo enquanto regula a temperatura do duche.

9.7.09

Traições

Trair é uma maçada. Sobretudo quando o homem que nos faz entrar por maus caminhos, diria a minha santa avó, é casado com uma amiga nossa. Acabamos, as duas colaboradoras, por criar atritos com o sacana, porque na nossa troca de impressões, beberricando um chá de tília ou de cidreira, descobrimos ambas que nunca o imbecil nos comprou sequer um par de brilhantes minúsculos, por desconhecer que também vendíamos jóias!

8.7.09

Traquinices

Cuidado com o que dizeis, rapazes, no Verão escaldante dos lençóis.
Ao contrário do que se pensa, uma rapariga esperta não tem orgasmos múltiplos quando ouve impropérios durante o sexo. Pode fingir, mas não é de todo agradável desatar a miar e a gemer para convencer o menino que está a desenvolver um trabalho meritório ao usar a língua indevidamente.
A primeira vez que se atreveram comigo, chegou a ser docinho, mas confesso que em caso de hipoglicemia, prefiro comer um papo de anjo a ter de papar um anjinho com aspirações a macho dominador e vagamente porco.
Chamaram-me putinha traquina. Bastou. O caso não teve repercussão grave. O rapazinho foi descartado ali mesmo (e antes mesmo de se sentir feliz), sem carta de recomendação, o que significa que não o emprestei às minhas amigas para que o usassem em caso mais urgente.
Não suporto que me considerem traquina!

7.7.09

Doidona

Diz-me o meu muito querido Petrovsky que sempre fui uma doidona.
Admito que não me passa pela cabeça ser de outra forma. Divirto-me muito mais e tenho sempre que contar às minhas amigas nos serões mais frescos, quando os marinheiros escasseiam e o cais se resume a um cheiro a marisco.
Assumo que sou uma perdulária, uma tonta, sempre disposta a cair nos braços de um homem que sabe sussurrar a cantiga do bandido ao meu ouvido tão sensível e tão próximo do botão que desencadeia o tsunami do meu corpinho frágil. Adoro que me cantem a canção do bandido, quase tanto como me atrai fazer com que o cantor pense que com ela me leva.
Quando a canção é entoada por um marinheiro, quase que me afogo. Sou sereiazinha enganada e confusa que em vez de encantar com voz melodiosa, se deixa ondear nos braços daquele que seria a vítima.
…E são marinheiros que pedem que volte!

Como resistir se os imagino nus, suados, barbudos, com braços peludos, corpos retesados e cheiro a madeira molhada dos barcos, à procura do cais onde, vaporosa e ingénua, os espero de baby-doll vestido e cheirinho a lavanda preso nos ligueiros de renda Dior?!
Ah! Não quero saber dos trabalhos complicados que me esperam!
Estou aqui, meninos! Venham todos nus, se fazem favor e procurem manter no ar o vosso…ânimo, que me faz tão bem e me leva na onda da maré mais quente.
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PS - Podem ficar com o "quiquinho" branco na cabeça...